Aplicativo FaceApp pode roubar dados do celular, alertam especialistas
Aplicativo FaceApp voltou a viralizar nos últimos dias por conta de um filtro que mostra como as pessoas seriam se "mudassem de gênero".
Publicado em 24 de junho de 2020
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O aplicativo FaceApp voltou a viralizar nos últimos dias por conta de um filtro que mostra como as pessoas seriam se "mudassem de gênero". Com a explosão de popularidade da ferramenta, defensores da privacidade de dados alertaram que usuários estão fornecendo à plataforma muito mais informações do que deveriam.
Criado pela empresa russa Wireless Lab, o aplicativo se baseia em um tipo de inteligência artificial – conhecida como rede neural – para analisar rostos e os transformar de várias maneiras: rejuvenescer, envelhecer, trocar o gênero e a cor dos olhos, por exemplo.


Para brincar com os filtros, as pessoas precisam autorizar que o aplicativo tenha acesso a uma série de informações pessoais, como as mídias. Por isso, a preocupação de especialistas é que os criadores do app estejam se aproveitando da popularidade dos filtros para construir uma grande base de dados de rostos, na teoria autorizada pelos usuários.
Como acontece com todos aplicativos, o FaceApp tem uma política de privacidade determinada pela Wireless Lab. O problema é que ela não deixa claro o que os administradores do serviço realmente fazem com os dados fornecidos.

Na política de privacidade, a companhia informa que "usamos ferramentas de análise de terceiros para nos ajudar a medir o tráfego e as tendências de uso do serviço. Estas ferramentas reúnem informação enviada pelo seu dispositivo ou pelo nosso serviço, incluindo as páginas web que visita, add-ons, e outra informação que nos ajude a melhorar o serviço. Reunimos e usamos esta informação analítica juntamente com informação analítica de outros utilizadores, para que não possa ser usada para identificar qualquer utilizador individual em particular".
O texto também diz que a empresa usa a informação que recebe para "melhorar e testar a eficácia do serviço, desenvolver e testar novos produtos e recursos, monitorizar métricas como o número total de visitantes, tráfego e padrões demográficos, diagnosticar ou corrigir problemas tecnológicos, e para atualizar automaticamente a web".


De acordo com o comentarista de tecnologia Stilgherrian, a política de privacidade da empresa deixa uma boa margem para manobras. Ao site ABC News, ele disse que o texto normativo é padronizado, por isso não oferece "efetivamente nenhuma proteção". "Todo o modelo de negócio do 'universo das startups' está acumulando grandes quantidades de dados pessoais sem qualquer ideia de como eles podem ser usados no futuro".

Já o presidente da Australian Privacy Foundation – outra ONG que defende os direitos à privacidade –David Vaile, é franco quanto ao FaceApp. "Resposta curta: não use", disse ele à ABC News. Para ele, o aplicativo pede acesso a mais informações do que precisa. "A partir da autorização do usuário, seus administradores podem compartilhar e reter indefinidamente seus dados, enfatizou Vaile. "Esse é o problema. A licença é tão flexível. Eles podem alegar que você permitiu que eles enviem [os dados] para onde e quem eles quiserem", concluiu.

 

 

Com informações do site Olhar Digital

Fonte: Jornal O Alto uruguai
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