O Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), divulgou o Cadernos RS no Censo 2022: Migração e Fecundidade, com dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo apresenta um panorama dos movimentos populacionais e da fecundidade no Rio Grande do Sul, destacando os principais fluxos migratórios e a consolidação de um padrão de maternidade em idades mais elevadas.
A análise, elaborada pelos pesquisadores Marilene Bandeira e Pedro Zuanazzi, do DEE, aponta que entre 2017 e 2022, o Rio Grande do Sul registrou 134,7 mil imigrantes e 212.517 emigrantes, resultando em um saldo migratório de -77,8 mil pessoas no período.
A taxa líquida de migração, de -0,72%, reflete uma leve perda populacional decorrente do deslocamento de residentes para outros Estados. Esse saldo migratório negativo decorre, principalmente, da baixa entrada de novos residentes (o Estado possui a 4ª menor taxa líquida de imigração) e não por uma saída acentuada de pessoas, uma vez que o RS possui a 5ª menor taxa de emigração.
Mantido esse nível, uma população de 100 mil pessoas seria substituída por aproximadamente 32,2 mil após três gerações, de acordo com o estudo, considerando a média estadual (1,44).
– A baixa taxa de fecundidade é comparável a países europeus, o que contribui para a rápida transição demográfica que estamos vivenciando, com o fim do crescimento populacional e o envelhecimento gradual da população –, analisa Zuanazzi, que é diretor-adjunto do Departamento de Economia e Estatística.
Maternidade em idades mais altas
O Rio Grande do Sul ocupa a segunda posição nacional em idade média da fecundidade, com 29 anos, atrás apenas do Distrito Federal (29,3). Em 2010, o indicador era de 27,8 anos. O Corede Serra apresentou a maior idade média de fecundidade (29,9 anos), enquanto o Alto da Serra do Botucaraí teve a menor (27,5 anos).
A tendência de postergação da maternidade está associada ao aumento da escolaridade. Entre as mulheres com Ensino Superior completo, a TFT foi de 1,11 filho por mulher, com maior concentração de nascimentos entre 30 e 34 anos, sendo também significativa a participação das mulheres entre 35 e 39 anos.
As mulheres brancas gaúchas apresentaram a menor taxa de fecundidade total (1,37 filho por mulher), seguidas pelas de cor preta (1,59) e parda (1,64). O padrão etário da fecundidade das mulheres brancas é mais envelhecido, enquanto o das pardas se concentra em faixas etárias mais jovens, especialmente entre 20 e 24 anos.
Mulheres sem filhos: aumento gradual ao longo das gerações
A proporção de mulheres no RS de 50 a 59 anos sem filhos nascidos vivos passou de 11,1% em 2010 para 14,3% em 2022. O Corede Metropolitano Delta do Jacuí apresentou o maior percentual (19,7%), e o Fronteira Noroeste, o menor (8,7%). O RS está entre os Estados com as menores médias de filhos por mulher nessa faixa etária (2,0 filhos), ao lado de São Paulo e do Distrito Federal.
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