Lavouras apresentam recuperação após chuvas no Rio Grande do Sul
Estresse hídrico de janeiro consolida perdas em cultivos precoces, enquanto áreas tardias retomam desenvolvimento
Publicado em 01 de março de 2026
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O setor agrícola gaúcho apresenta um cenário de contrastes produtivos em decorrência das variações climáticas registradas no início de 2026. Segundo dados da Emater/RS-Ascar, as precipitações ocorridas entre 16 e 19 de fevereiro promoveram uma recomposição significativa da umidade do solo na maior parte do Estado. Esse fenômeno atenuou o estresse hídrico que vinha afetando as plantações, permitindo a retomada do crescimento vegetativo em cultivos de ciclo intermediário e tardio.

No entanto, a restrição hídrica severa observada em janeiro e na primeira metade de fevereiro, somada às altas temperaturas, causou danos irreversíveis às lavouras semeadas precocemente. Em solos mais rasos ou compactados, foram registrados episódios de abortamento de flores, redução do porte das plantas e desfolha.

A colheita da soja ainda é considerada incipiente, concentrando-se em áreas pontuais mais afetadas pela seca ou de ciclo curto, enquanto a maior parte da cultura (60%) avança para a fase crítica de enchimento de grãos.

Panorama das culturas de verão: milho, arroz e feijão

A colheita do milho grão atingiu 60% da área cultivada no Rio Grande do Sul, com produtividade média sustentada próxima à projeção inicial de 7.370 kg/ha. No caso do milho destinado à silagem, a operação está ligeiramente mais avançada, alcançando 65% das áreas.

Embora as chuvas recentes tenham aliviado o estresse das plantas remanescentes, em diversas localidades a umidade chegou tardiamente, sem capacidade de reverter prejuízos já consolidados nas fases anteriores de floração e formação da espiga.

No setor orizícola, a colheita do arroz está em fase inicial, com 3% da área colhida, principalmente nas regiões Oeste e Central. Com 27% das lavouras em maturação, a expectativa é de uma aceleração das máquinas nos próximos dias.

Já a cultura do feijão apresenta cenários distintos entre a primeira e a segunda safra: enquanto a primeira safra já colheu mais da metade de sua área (53%) sob impacto da estiagem, a segunda safra beneficia-se de um desenvolvimento fitossanitário adequado e umidade favorável, com 77% das lavouras em estágio vegetativo.

Estimativas

A Emater/RS-Ascar mantém o monitoramento constante das condições de campo para atualizar os dados de produtividade, que sofreram alterações devido às intempéries climáticas de janeiro. Uma nova projeção oficial para a soja e demais culturas de verão está sendo finalizada pela instituição técnica.

O anúncio dos números revisados da safra 2025/2026 está agendado para o dia 10 de março, durante a programação da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, momento em que será possível consolidar a dimensão real das perdas e o potencial de recuperação das áreas beneficiadas pelas chuvas recentes.

 

 

 

 

 

 

Foto: Divulgação

Fonte: Com informações da LA+
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