Delegado de FW alerta para crescimento de crimes patrimoniais ligados ao uso de drogas
Conforme dados apresentados pelo delegado Jacson Boni, o crescimento chegou a índices alarmantes de até 1200%
Publicado em 11 de julho de 2025
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O delegado de Polícia de Frederico Westphalen, Jacson Oilian Boni, fez alerta sobre a recente onda de furtos registrada no município. Entre os casos mais chamativos estão os furtos de hidrômetros, que voltaram a ocorrer após um longo período de estabilidade. Durante entrevista, o Delegado destacou que somente no último fim de semana, ao menos oito boletins de ocorrência foram formalizados pela retirada criminosa desses equipamentos de residências. No entanto, a estimativa da Polícia Civil é de que o número real de casos tenha sido maior, chegando a 14 ou 15 unidades furtadas.

— Nós já havíamos registrado esse tipo de crime no passado, mas há muito tempo não víamos isso ocorrer. Foi uma surpresa —, comentou o delegado.

A motivação para o furto dos hidrômetros, segundo Boni, estaria no valor residual das peças metálicas que compõem o equipamento, mesmo que atualmente esses materiais tenham valor irrisório no mercado de sucata. “Qualquer R$ 5 ou R$ 10 é suficiente para comprar uma pedra de crack. Isso já é incentivo para o furto”, explicou.

Além desse tipo específico de crime, a polícia registrou um aumento generalizado dos delitos patrimoniais nas últimas semanas. Conforme dados apresentados pelo delegado, o crescimento chegou a índices alarmantes: 1.200% no furto de veículos, 550% em furtos a estabelecimentos comerciais e 420% nos chamados furtos qualificados.

— Há cerca de dois meses observamos um crescimento muito significativo. Já iniciamos uma força-tarefa e só nos últimos 30 dias prendemos sete pessoas envolvidas em furtos —, relatou.

Segundo Boni, a maior parte desses delitos tem ligação direta com a drogadição, especialmente o consumo de crack. Ele descreve o perfil dos autores como pessoas em situação extrema de vulnerabilidade social, com vício severo em entorpecentes e que passam as madrugadas circulando pelas ruas à procura de qualquer objeto que possa ser trocado por droga.

— É um caso de saúde pública. São indivíduos desnutridos, mentalmente debilitados, sem vínculos familiares, que moram na rua ou em veículos abandonados. E o único objetivo deles é conseguir dinheiro para mais uma dose —, alertou.

Diante desse cenário, a Polícia Civil tem intensificado ações de investigação e orientação. Após os furtos de hidrômetros, os policiais civis e militares realizaram diligências em locais formais e informais de comercialização de materiais recicláveis, alertando sobre os riscos legais da receptação.

— Orientamos esses estabelecimentos de que receber material de furto configura crime. Após essa ação, os furtos cessaram, o que mostra que a medida teve efeito preventivo —, acrescentou.

A polícia também já analisa imagens de câmeras de segurança para tentar identificar os responsáveis pelos crimes. Boni destaca, nesse ponto, a importância do monitoramento particular:

— O videomonitoramento residencial e comercial é essencial. Ele inibe crimes e facilita a identificação dos autores. Quem puder investir em câmeras, mesmo que de menor qualidade, já contribui muito com a segurança.

O delegado também fez um apelo para que a comunidade registre os crimes, mesmo que os prejuízos pareçam pequenos.

— O registro é essencial para que a gente possa investigar e responsabilizar os autores. Às vezes descobrimos crimes em imagens e, ao procurar a vítima, ela sequer havia feito boletim de ocorrência —, afirmou.

Sobre a atuação da polícia no combate ao tráfico, Boni enfatizou que, embora muitas lideranças do tráfico estejam presas, o mercado se reestrutura constantemente devido à demanda. "O tráfico é uma relação de oferta e procura. Se houver usuários, haverá traficantes. É um ciclo que só será rompido com ações em várias frentes: segurança, saúde, educação e apoio familiar", pontuou.

A prevenção junto aos jovens também tem sido prioridade. O delegado destacou o programa “Papo de Responsa”, coordenado pelo delegado Gustavo, que promove conversas nas escolas sobre os perigos do uso de drogas.

— A legislação prevê penas mais graves quando o tráfico ocorre próximo a escolas. Mas, felizmente, não temos registros de tráfico agressivo nas imediações desses locais em nossa cidade —, tranquilizou.

Finalizando, Jacson Boni lembrou que o combate ao vício exige esforço conjunto das esferas municipal, estadual e federal, especialmente no fortalecimento das políticas de saúde pública.

— É um problema complexo que não tem solução única. Requer atuação da polícia, da saúde, da assistência social, da família e de toda a comunidade. Cada um tem um papel a cumprir —, concluiu.

A população pode contribuir denunciando crimes pelos canais oficiais e adotando medidas de segurança, como trancar veículos e imóveis e evitar deixar objetos de valor expostos. Ocorrências podem ser registradas presencialmente na delegacia ou por meio da Delegacia Online.

“A comunidade pode ficar tranquila: assim como prendemos o autor da onda de furtos de veículos no mês passado, vamos identificar e responsabilizar quem furtou os hidrômetros”, garantiu o delegado.

Fonte: Com informações da LA+
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