Tarifaço de 50% preocupa pecuaristas gaúchos
Embarques de carne gaúcha para os EUA registraram aumento de 177% no primeiro semestre
Publicado em 23 de julho de 2025
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A pecuária gaúcha aguarda com apreensão a eventual entrada em vigor da sanção tarifária de 50% imposta pelo presidente americano, Donald Trump, aplicada sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos. O setor, que apresenta recuperação no desempenho, teme impactos da medida, caso seja confirmada a vigência a partir do dia 1º de agosto.

No primeiro semestre de 2025, os embarques de carne do Rio Grande do Sul para os EUA registraram crescimento de 177,4%, na comparação com o mesmo período de 2024. O faturamento passou de 18,6 milhões de dólares, nos seis primeiros meses do ano passado, para 51,7 milhões de dólares na primeira metade de 2025. Os dados são do Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão.

“Toda a cadeia produtiva está bastante apreensiva”, diz o presidente da Associação Rural de Pelotas, José Luiz Kessler.

O dirigente salienta que a preocupação resulta, principalmente, “da falta de perspectiva de uma negociação” entre os dois países.

Um dos temores de Kessler é a possibilidade de transferência de um provável excedente nacional, decorrente da interrupção dos negócios com os americanos, para o Rio Grande Sul. O presidente do sindicato considera “difícil falar em cenário”, mas destaca o crescimento da competitividade de outros fornecedores, como Austrália e Argentina, junto ao mercado americano.

Segundo semestre

Na avaliação de Marcelo Silva, diretor da Trajano Silva Remates, o tarifaço de Trump deverá tornar “difícil” o segundo semestre, afetando inclusive o mercado pecuário de leilões no Estado. A pecuária gaúcha, de acordo com Silva, iniciou o ano com boas perspectivas, mas foi prejudicada pela estiagem ocorrida no verão e pelo excesso de chuvas em junho. No segundo semestre, além da ameaça pluviométrica, comprometendo a produção de lavouras e fazendas, se soma agora a taxa de 50%.

“Isso reflete diretamente não só sobre a pecuária em geral, mas em várias outras categorias. Os próprios leilões têm menos animais para vender, os números nos valores em quilo diminuíram bastante e até alguns frigoríficos estão em compasso de espera”, afirma o leiloeiro.

O diretor administrativo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Francisco Schardong, percebe outro contexto na área de leilões, encontrando pontos de resiliência na atividade no primeiro semestre. Confirmando a redução de negócios em praças menos tradicionais, Schardong cita Caçapava do Sul, Glorinha, Lavras do Sul e São Sepé como locais onde a comercialização de gado seguiu em bom ritmo.

“Os animais que são comprados são utilizados no Rio Grande do Sul. São novilhas, vacas e bois para engordar. Tudo fica aqui. Quase nada vai para fora do Estado ou para o exterior”, disse Schardong.

Schardong diz que eventuais reflexos da sobretaxa sobre a pecuária gaúcha ainda são incertos, mas, assim como Kessler, reconhece a preocupação com o destino do excedente nacional. Para Schardong, o mercado interno teria dificuldade de absorver o que deixar de ser exportado, tanto em razão do volume quanto da qualidade da carne que é embarcada.

 

 

 

 

Foto - Wenderson Araújo/CNA/Trilux

Fonte: Correio do Povo
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